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1920: Flappers

Os estrondosos anos 20 - ou roaring twenties
Como não amar?
Estou aqui hoje para falar de uma curiosidade que muito pouca gente conhece, e algo que me incomoda muito nas novelas que representam os anos 20 - logo mais, vão entender porquê. rs

Flappers e Garotas Gibson
As flappers sucederam as garotas Gibson ou Gibson Girls.

Garotas Gibson, ou Gibson Girls
Elas eram caracterizadas principalmente por suas longas madeixas românticas, presas no topo da cabeça de uma forma solta e fluida. Usavam vestidos de gola e longas saias, que iam até o pé, além de ainda conservarem o uso do corset (abandonado posteriormente pela necessidade de aço para a WWI). Eram chamadas de Gibson Girls por terem sido idealizadas pelo ilustrador Charles Dana Gibson, ou apenas Dana Gibson. Para ele, eram o ideal da beleza feminina.

Típica Gibson Girl, ilustração de Dana Gibson


As Garotas Gibson eram altamente femininas, mas já haviam conseguido superar vários obstáculos de gênero - agora, por exemplo, as mulheres já conseguiam praticar alguns esportes (que, para a época, já era um grande progresso).

Transição - De madeixas românticas a cabelos curtíssimos


Tudo começou com o início da 1a Guerra Mundial. Os rapazes agora enfrentavam novos paradigmas, eles temiam a todo momento a morte e, nas trincheiras, foi abandonada a antiga estrutura social. Surgiu assim a filosofia do "vamos nos divertir o quanto pudermos pois amanhã podemos morrer". As moças, por sua vez, com todo o fervor patriótico, também se envolveram "nas linhas de frente", da forma que puderam. Depois da guerra, tentaram fazer essa geração se encaixar na sociedade novamente, mas era impossível. A nova geração jamais iria se encaixar novamente.

Flappers
O nome veio da Inglaterra, logo após a WWI. Flapper era o termo utilizado para se fazer referência às garotas que ainda não eram totalmente mulheres, mas também não eram mais meninas. Um escritor fez até menção a um "passarinho, que tenta, cambaleante, abrir as asas e voar para fora do ninho".
O visual das Flappers foi o que mais chocou. Os corsets e roupas apertadas foram trocadas por vestidos onde a cintura caía sobre os quadris, vestidos largos e soltos - que permitiam, principalmente, um grande conforto para dançar jazz, a "onda do momento", com seus movimentos livres e enérgicos. Além disso, utilizavam tiras de tecido para deixar os seus seios com um aspecto de tábua. Esse tipo de look se chamava garconne - ou "pequeno menino", instigado por Coco Chanel.
As saias, também, foram praticamente revolucionárias. Imagine, séculos com saias que encurtavam, no máximo, até alguns centímetros acima do calcanhar, da noite pro dia, estavam alguns centímetros abaixo do joelho.
Mas, o mais chocante, para todos, foram os cortes de cabelo. De Gibson Girl para Flapper - em questão de pouquíssimo tempo, os longos cabelos que iam até a cintura, agora, eram cortados na altura da nuca. O conhecido "Bob", que, posteriormente, abriu espaço para o "Shingle".

Shingle

Também começaram a utilizar maquiagem considerada pesada e sensual, algo que era considerado característica "daquelas mulheres da vida". As flappers agiam como se a juventude fosse acabar amanhã, e, assim, passaram a aproveitar o máximo da vida.
Elas andavam em carros, e não só andavam como, por vezes, os dirigiam. As flappers fumavam e bebiam, algo que era considerado, antes, apenas do universo masculino. E, o que mais chocou a sociedade da época, foi o fato de as flappers começarem a exibir o comportamento sexual à flor da pele. Elas perderam aquele recato romântico, ainda tão preservado no passar dos séculos.
Esse comportamento libertário logo levou ao preconceito e à tentativa de repressão do movimento flapper. O cabelo curto, marca registrada das flappers, logo se tornou motivo de demissões e exclusão social - raramente eram chamadas para festas importantes, os rapazes sofriam quando pediam uma flapper em casamento, já que ele já seria considerado corno de antemão...
Mesmo se a moça não fosse flapper, só achasse o estilo de cabelo bonito e desejasse ter o cabelo curto, ela sofreria com isso. Existiam até alguns "tutoriais" para as mulheres que quisessem ter o "cabelo grande de reserva".

E é aí que entra o meu problema com as novelas da Globo que retratam os anos 20. Percebam que praticamente todas as personagens femininas possuem esses cabelos curtíssimos, quando, na verdade, isso era motivo de preconceito até 1925 e 1926. Não era com essa facilidade e naturalidade que as mulheres utilizavam estes cortes de cabelo, e acho que, pelo menos pra fazer uma novela, os roteristas poderiam dar um passeio pelo google primeiro.

O movimento Flapper perdeu sua força quando a grande depressão chegou, que tornou o estilo de vida devasso completamente impraticável. Mas, até hoje, vivemos os ecos deste movimento - que foi responsável por criar os pilares da mulher moderna.

Então, antes de zoar uma feminista - principalmente se você for mulher - e falar que a Marcha das Vadias é uma palhaçada, saiba que foi graças a esse tipo de mulher que você hoje tem o direito ao voto, o direito ao trabalho, entre tantos outros.

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