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Sou designer, sou Deus... Só que não.

(Usei designer como exemplo, mas o que não falta por aí é profissional assim em determinadas profissões)
Nunca, jamais, em hipótese alguma fale para alguém "trust me, I'm a designer" quando estiver numa discussão sobre design com uma pessoa leiga. Isso é pedante, isso é feio, isso é falta de educação... Isso é babaquice. Faço várias tarefas no computador para pessoas mais velhas que simplesmente não sabem mexer e eu nunca, em momento algum viro e falo "quem entende sou eu, se recolha à sua insignificância". Eu estudo direito, mas toda vez que vou falar algo do assunto com alguém que não entende nada sobre, não ajo como se fosse a detentora da verdade sobre o assunto dizendo "ah, eu que sei falar de direito", por mais que eu ache que a pessoa esteja falando a maior sandice do mundo. Nem que eu fosse uma desembargadora conceituada de 40 anos de carreira.
Se eu fosse cliente algum dia de um designer, nem em um milhão de anos ia contratar uma pessoa que me trataria como se eu fosse um macaco analfabeto que não tem conhecimento de causa suficiente para opinar.
"Ah, você me contratou pra fazer o seu logotipo mimimi!" (outra: eu falo logotipo, logomarca, o cassete que for. E uso comic sans se quiser também. E foda-se. Parem de se doer por baboseira e vão trabalhar.)
Não sou designer, mas já me propus a fazer sites para os outros. E, com toda a paciência do mundo, acatei todos os pedidos. O site não é meu, é daquela pessoa.
Uma dica: Quem contrata um designer tem mais ou menos a mesma intenção quando contrata um decorador de interiores. Confio na capacidade dele de juntar as peças de forma harmoniosa e profissional, mas eu vou definir o estilo que quero, vou dar pitaco sim, porque a minha sala de estar vai ser meu cartão de apresentação e sou eu que vou ter que conviver com ela pelo resto de meus dias miseráveis. E eu paguei alguém para tornar a experiência e o resultado final bom. Se eu quisesse qualquer porcaria que quisessem me enfiar goela abaixo, comprava pronto - ou, no caso, a sala mobiliada. Se eu to pagando um marceneiro para fazer uma mesa sob encomenda, eu vou querê-la do meu jeito, porque senão seria mais fácil ir ali numa loja de varejo e comprar qualquer porcaria.
Então parem de se doer. Vocês escolheram trabalhar com isso, vocês sabiam que seriam empregados pelos outros e teriam que aceitar a opinião do cachorro Totoreto e da tia-avó Clenância do seu cliente, muitas das vezes, para ganhar dinheiro. Você sabia, você escolheu, e isso não é nenhuma judiação ou violação de direitos humanos que justifique tanta bunda doída.
A profissão que vocês escolheram tem a sua importância, mas vocês não são os salvadores da pátria. Da mesma forma que um advogado, o uso de vocês é facultativo - não é todo mundo que algum dia vai precisar de vocês. Tem gente que mal deve saber o que vocês fazem, e não estou sendo malvada ou sacaneando, estou falando a verdade. Se eu fizer essa pergunta a qualquer pessoa rica, sem filhos com mais de cinquenta anos, existe uma chance considerável de esta pessoa não saber do que se trata. Mas um médico até a vó Nenenha de 107 anos vai saber o que é.
E vocês não são médicos, para aqueles que sentem a necessidade de compartilhar a todo minuto aquela foto do babaca pitaqueando a operação do médico, com a frase de efeito embaixo "então porque sentem necessidade de mandar no trabalho do designer?"
Vocês não são uma raça messiânica enviada do paraíso. São profissionais que dependem da produção dos resultados desejados, como qualquer outro.
E, pra fechar: depois que vocês tiverem estudado 6 anos dissecando cadáveres, fizerem não sei quantos anos de especialização e mais não sei quantos de residência, carregando pessoas com hemorragia de um lado para o outro, aí sim podem se comparar aos médicos.